Maconha

cerebroSou contra o uso de drogas e gostaria muito que você nunca tivesse nem a simples curiosidade de experimentar. Mas sou a favor da legalização da maconha. Sim parece contrasenso, mas se você tiver paciência para ler este post explicarei porquê.

A lei infelizmente não impede o trafico de drogas. Este é um mercado consistente e emergente. Os lucros? Sustentam o crime organizado. Sustentam uma malha de corrupção que enriquece muito manda-chuva my friend!  – esse é o gap.

A proibição não impede nem a comercialização nem o consumo, é hipocrisia não argumentar sobre a legalização.

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Enquanto você fica em casa tranquilo defendendo a lei, o Narcotráfico e o consumo matam mais de 20 mil pessoas anualmente. Alguém deve estar consumindo ou matando para manter o ponto de droga enquanto você lê este post.

Sabemos que a maconha age na área do cérebro responsável pela concentração e memória, e se você tem amigos que fumam há mais de 20 anos sabe que isso é verdade.  Evidente em alguns, inexistente em outros.

Mas lembre-se: cigarro mata, alcool mata, medicamentos matam e nada disso é proibido.

O maior problema quando o assunto é maconha é o fator societário. Na Europa os usuários de maconha eram em sua maioria imigrantes árabes e indianos, nos Estados Unidos mexicanos. No Brasil? Surfista é maconheiro – mas o ‘surfista’ não é o esportista saudável ou o  quem vive em harmonia com a natureza, é sim o de conotação pejorativa: um vagabundo. Isso fez com que a maconha fosse diretamente associada a classes marginalizadas.

Tratando-se de qualquer droga, sempre existirão pessoas que usarão as drogas como um hooby e outras com maior predisposição genética ao vício. As pessoas com prédisposição genética em um certo ponto de sua vida, praticarão a violência por usar ou cairão na marginalidade para sustentar o vício. Qualquer vício certo? – mas lá no fundo da sua mente o usuário de cocaína é o boy patrocinado pelo pai e o de maconha é trombadinha certo?  Errado.

Se faz necessário lembrar que o álcool foi a maconha de sua época e hoje é uma indústria que gera empregos, receita e divisa para o Brasil – e que ainda mata.

Milhões de pessoas consomem socialmente enquanto milhões de pessoas morrem desse mal, mas será que sem a quebra da Lei Seca de Harry Aslingera – a liberação dessa droga – esse número não seria maior?

Hoje temos verba estadual para campanhas de conscientização (insuficientes, mas existem), podemos argumentar claramente sobre o assunto e acabamos com o estigma de que é irreverente beber álcool ‘por ser algo proibido’.

A obrigação de educar e conscientizar – de afastar os filhos das drogas é dos pais e não do estado. O estado é quem apoia e mantém a ordem.

A primeira lei brasileira proibindo a maconha é de 1830. Vale ressaltar que a pena dos brancos era menor, sim você entendeu, os brancos eram liberados após pagar uma fiança de  20.000 réis, enquanto os escravos cumpriam  prisão (#totalvergonhalheia).

Mas essa primeira lei não foi levada a sério e a proibição definitiva só ocorreu em 1920.

O THC, Tetrahidrocanabinol – substância ativa da maconha é a resina que a planta produz para proteger suas folhas e flores do sol forte.

O problema é que hoje há a maconha potencializada (não sei se é esse o nome), a planta que possui em média uma concentração de 8% de TCH, pode chegar aos 33% – não isso não é uma coisa boa, pois os efeitos colaterais da sua almejada ‘loucura’ serão proporcionalmente potencializados.

Um estudo do Centro Nacional de Informação e Prevenção da Cânabis da Austrália determinou que o fumo da maconha continha 20 vezes mais amônia, e cinco vezes mais cianeto de hidrogênio e óxidos de nitrogênio do que o fumo do tabaco. Mais uma substância que a longo prazo prejudica a saúde.

Por trás do embate da legalização, estão as guerras: liberais versus conservadores, cristãos versus religiosos do candomblé e filosofia rasta, ricos versus pobres e assim vai. Cada frente contribui com sua porcentagem de preconceito. Por isso a argumentação perde para a discussão e ninguém chega a lugar nenhum com isso.

O estado deve informar, mas quem é obrigatoriamente responsável por prover a educação, por moldar o indivíduo são os pais. Sim, um indivíduo se forma em casa. Sim ele amadurece na rua, mas nossos valores vêm do berço. Não adianta jogar esta responsabilidade para o estado e é hipocrisia achar que ele pode ser idealizado por uma minoria da sociedade (minoria burra e sem estudo se tratando de deputados no Brasil).

A personalidade permitirá ao usuário ter consciência da escolha: optar por usar ou não usar drogas, por usar a droga como prazer, ou por fuga. Isso lhe permitirá perceber se ele tem controle para consumir por hobby, ou quando o consumo já está ficando fora de controle – caminhando para o vício. A lei não influência essa escolha.

Chega de evitar o problema ou de tratar os que consomem como marginais e os viciados como se eles não fossem cidadãos. É preciso liberar a maconha, estabelecer esse mercado e tarifá-lo. Impostos que subsidiarão clínicas para tratamento de viciados, programas de conscientização nas escolas e inteligência contra o crime organizado.

É preciso respeitar a escolha do outro.

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Faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço

A maconha foi utilizada como soro da verdade pelo Office of Strategic Services (OSS) -  agência governamental dos Estados Unidos formada durante a Segunda Guerra Mundial no início dos anos 1940. Foi o mais efetivo soro da verdade desenvolvido pela OSS no St. Elizabeths Hospital.

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Observação:

Já tinha escrito esse post há algum tempo, mas não o havia publicado pois pensei em trabalhá-lo com mais critério – assunto polêmico my friend! Mas hoje, domingo dia 24 de julho de 2011 morreu aos 27 anos Amy Winehouse – mais uma integrante do hall de grandes artistas que foram encontrados mortos sozinhos em casa ou em quartos de hotel.

.Os comentários sobre a morte dessa cantora me chocaram. Denotam o quanto as pessoas são desinformadas em relação as drogas. Só faltou um ‘teve o que mereceu’.

.Nunca ouvi isso de Jimi Hendrix – ícone da guitarra, nem de Jim Morrisson – um dos ícones do rock, nem de muitos outros. Mas mesmo dona de uma voz única, Amy para muitos era apenas um menina bêbada que morreu de overdose. E eu? Não, eu não era fã mas sempre admirei sua voz.

Nós idolatramos pessoas e elas se sentem como ‘deuses’. Os forçamos a dar 100% de si dia após dia. Ídolos não podem sofrer, tem que mostrar beleza e perfeição: os fãs não aceitam menos que isso.
Um dia qdo a pressão fica insuportável, usam uma droga prescrita por um médico indicado pelo seu empresário.
O medo de usar drogas diminui na mesma proporção do efeito das mesmas, o organismo se acostuma e diminui os efeitos aí é preciso aumentar a dose – é preciso usar mais.
Uma hora a dependência fica química – essa guerra não é lógica.
Criamos e descartamos ídolos como o que são: produtos.

R.I.P. Amy.