Transmídia – Etapa I

transmidiaFalar  de Transmídia, sem falar de globalização e modernidade, é falar de texto fora do contexto na minha opinião.

Quando converso nos bastidores, todos entendem o que é transmídia, mas não sabem dizer o que é.

Eu mesma tive dificuldade de começar este post, pois nunca falo de teoria e de ferramenta, mas sempre de meio e aplicação.


Se você quer teoria, leia os livros ‘Modernidade Líquida’ de Zygmunt Bauman, ‘The Wisdom of the Crowns’ de James Surowiecki e ‘Cultura da Convergência’ de Henry Jenkis.

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Antes de falar de Transmídia, parecisamos falar de Globalização e Modernidade (da abertura do mercado, da Internet e da explosão de fontes de informação, de personalização, de inteligência coletiva, de fragmentação de audiência), vixi…

Sem falar de seus protagonistas: as redes sociais, os blogs, widgets, gadgets e PRINCIPALMENTE WEB ANALYTICS, para medir, analisar e otimizar os resultados em redes socais e outros canais.

Ou seja, esse assunto vai longe. Então vou por etapas…

Este post será a Etapa I


I -  MODERNIDADE
Nossos atos, falam por nós.

Com os mercados internos saturados,  empresas multinacionais precisaram buscar novos mercados consumidores. Para baratear o custo (apresentar preços mais competitivos), e estabelecer contatos comerciais de forma rápida e eficiente, foi necessário investir em recursos tecnológicos ( comunicação via satélite, internet, redes de computadores…).

Exemplo: o tênis Nike comercializado em diversos países, é projetado nos EUA e fabricado na China com matéria prima brasileira – imagine a logística disso!

Isso é Outsourcing (em inglês, ‘Out’ significa ‘fora’ e ‘source’ ou ‘sourcing’ significa fonte).  Na real é a  expropriação autorizada da cidadania, ou seja, a pessoa humana passa a ser um ‘‘recurso humano’’.

Quanto mais as tecnologias ‘inteligentes’ evoluirem, menos valor tem a pessoa humana (menos importância no funciograma de produção).

E aquele papo de que sempre que uma máquina quebrar, será preciso um humano para concertar, não leva em consideração que o salário de um assistente técnico é imensamente menor do que o de um gestor por exemplo.

Mesmo que os dois tenham as mesmas responsabilidades (manter uma família, prover estudos aos filhos…).

Em contra partida, vale lembrar que Michael Jordan, já recebeu da Nike (a título de royalty), uma quantia superior ao trabalho de 22 mil funcionários asiáticos, responsáveis pela produção dos produtos.


A tecnologia evolui constantemente para que o homem possa potencializar sua ação no mundo.

Ela inclui (conecta as pessoas e disponibiliza conhecimento), mas também exclui (superespecialização disciplinar e descarte de ativos).

Olhando superficialmente, a modernidade, é aquela imagem que vem a sua cabeça, quando nos referimos ao mundo atual (nosso momento).

O que te vem a cabeça?

Na minha vem Congestionamento, em seguida noto que nos carros, todos os motoristas falam ao celular, ou lêem no celular.  Nossa! Até a imagem que vem a minha cabeça não é imagem, é um filme (rs).  Pessoas com pressa, com dívidas, passando a sua insegurança à frente (tirei o meu da reta, azar de quem estiver atrás).

Mas também há pessoas que andam um pouco mais tranquilas, com fone de ouvido ou lendo jornal (não tenho tudo o que eu quero, mas tenho tudo que preciso).

Somos estas pessoas. Interferimos em tudo que nos é permitido, e praticamos a forma ideal de comércio, o ‘ganha-ganha’( um acordo comercial só é bom, quando é bom para todos).

Okayyyyyyyyyy, somos minoria.

I I -  INTELIGÊNCIA COLETIVA
O Conhecimento gerado pela colaboração

Grande maioria da geração anterior a minha, era cética em relação a informação.

As pessoas liam jornal, apenas para terem assunto no almoço, ou para estar a par do que acontecia. Estou generalizando e rotulando, apenas para exemplificar o raciocínio que concluirei a seguir…

As pessoas se indignavam por algum tempo e depois esqueciam. Não adiantaria reclamar, ou ir atrás de seus direitos, a burocracia te engoliria de qualquer jeito.

Todos eram meio apáticos.  Síndrome de Gabriela sabe? “Eu nasci assim, eu vivi assim, vou morrer assim, vou ser sempre assim  Gabriééla…

“Você é muito nova (ingênua), um dia você vai entender” , me diziam ‘eles’.  Ou “É muito mais complexo do que você imagina meu bem”.

Sempre que estava rodeada de “senhores do engenho” (empresários que são uma sombra do que foram os EMPRESÁRIOS que construíram a indústria brasileira hoje),  e que fazia um comentário inteligente, alguém me chamava de forma pejorativa – meu bem, menina…

Mas eu sempre virava o jogo, e sabe porque?
Se não sei não abro a boca. Abro os ouvidos, para aprender com quem sabe. Agora se eu sei…rs, é bom você estar munido para argumentar…

Nas conversas o papo era: a culpa é do governo, da bolsa de valores, do papa, do síndico… Aí você pergunta:

_ Já sabe em quem vai votar?
_ Vou anular meu voto, só há sem-vergonhas lá.
_ Hum. E o seu Síndico?
_ Ah foi eleito novamente, teve reunião de Assembléia mas eu me esqueci e não fui.

O Síndico corrupto foi eleito novamente, porque VOCÊ  se esqueceu de informar aos seus vizinhos que ele superfaturava notas fiscais???

Vou refazer a pergunta:

_ A culpa é de quem?

É verdade que a burocracia e a censura ‘velada’ empatavam qualquer forma de expressão – isso ocorre em menor proporção até hoje.

MAS, graças a  Internet, nós divulgamos a informação sem ter a mídia como intermediária. Ou seja, informação pura, sem rabo preso com as ideologias dos ‘donos da mída’, de clientes e patrocinadores.

Exemplo? Você está interessado em assistir um filme no cinema. Qual opinião você acha mais relevante: a dos críticos de cinema (que lêem releases, vão a pré-estréias e ganham brindes ou de alguém que simplismente foi lá e assistiu?

Hoje, nós recebemos a informação e interagimos com ela.

Passamos de telespectadores superficiais para agentes de mudança, formadores de opinião. (o poder do marketing foi transferido para os consumidores, e eu marketeira me orgulho disso).

Hoje estamos saturados de mídia e somos experientes. Não nos influenciamos pelos antigos símbolos de status.

Como consumidores conectados, desenvolvemos um novo processo de decisão de compra.

Trocamos o status pelas atitudes. A participação é o novo consumo (as mídias sociais ajudaram a eleger o presidente mais poderoso do mundo).

Se falta informação, complemento. Se tenho dúvidas, pergunto – e logo sou esclarescida  por diversas pessoas prontas a me ensinar.

Se gosto, elogio. Se não gosto, critico e aviso o maior número de pessoas possível, para que elas não sejam enganadas como eu fui.

Você já ouviu alguém chamar o Google de ‘Rankeador de reputação’ ?

Ok, ele é apenas um buscador, que realiza 2 bilhões de pesquisas por dia.
Mas entre estas 2 bilhões de pesquisas efetuadas, quantas são de consumidores buscando informações sobre um produto ou serviço?

Criamos uma realidade paralela:  a virtual.
Ela não pode ser domada nem corrompida: é autônoma.
Um exemplo? Wikipedia.

Essa enciclopédia virtual criada em 2001, hoje possui 10 milhões de artigos em 260 idiomas diferentes, produzidos por pessoas comuns – porém especiais (pessoas que compartilham seus conhecimentos, sem receber nada em troca).

Como os conteúdos são postados livremente (sem nenhuma conferência ou correção), deveria haver muita coisa errada né…

Mas não há. E se ocorrer, será por pouco tempo, pois será corrigida rapidamente.

A colaboração dessa galera, produziu um conteúdo que está a altura das enciclopédias impressas tradicionais.

Por intermédio da metáfora ‘Modernidade Líquida‘, Zygmunt Bauman nos alerta para o fato de que nenhum molde é quebrado, sem que haja substituição por outro:

“O acesso a meios mais rápidos de mobilidade na modernidade é a principal ferramenta de poder e dominação. Diferente da individualização de cem anos atrás, a individualização na modernidade atual, consiste em transformar a identidade humana de um dado em uma tarefa, onde seus autores serão responsáveis pela realização dessa tarefa e das conseqüências advindas com a mesma.

A modernidade imediata é “leve”, “líquida”, “fluida” e infinitamente mais dinâmica que a modernidade “sólida”.  A passagem de uma a outra acarretou profundas mudanças em todos os aspectos da vida humana ( emancipação, individualidade, tempo/espaço, trabalho e a comunidade)”.


II I –  TRANSMÍDIA
A tela do computador é a extensão da íris dos meus olhos.

Criamos  a realidade virtual (uma realidade paralela) e gostamos. Nos apropriarmos dela foi, o que foi um ato natural.

A Cultura da Convergência sempre existiu, ela é responsável por tornar imortais  livros, que geraram filmes, que geraram brinquedos, que geraram jogos…inverta na ordem que quiser.

Os leigos, a consideram uma ‘moda’ ou ‘onda’, que aparece por sorte. Mas por trás, sempre houveram grandes marketeiros e planejadores, arquitetando todos os atos (aproveitando oportunidades).

Ao longo do tempo, o instinto foi construindo estratégias.

O marketing sempre buscou explorar qualquer ponto de contato disponível, mas hoje, nós também provemos isso (redes sociais, blogs, comunidades, chats…).

Gosto de citar ‘Os Senhor dos Anéis’. Um dia, almoçando com a galera do escritório,tive uma acesso no almoço: eu não aguentava mais ouvir falar em Big Brother (não curto, nem acompanho). Passei a semana ouvindo eles brigarem, sobre quem devia ser eliminado. Adivinhem qual foi o novo assunto? The Lord of the Rings.

Ainda não tinha lido e me interessei em saber o que havia causado tanta paixão (praticamente um fã-clube organizado).

Este livro catalogado como literatura infantil, escrito pelo professor e filólogo britânico J.R.R. Tolkien, foi adaptado para o rádio, o cinema e televisão e palcos.

O Senhor dos Anéis, influênciou a cultura pop desde seu lançamento (anos 50). Jogos de tabuleiro foram lançados e um livro de paródias o ’Bored of the Rings’ (O Fedor dos Anéis). Led Zeppelin é provavelmente o mais famoso grupo diretamente inspirado em Tolkien, e possui quatro músicas com referências explícitas, como Ramble On e The Battle of Evermore.

Mais recentemente houve um espisódio de South Park, O Retorno do Senhor dos Anéis às Duas Torres, e o musical da Revista Mad nomeado O Anel e Eu.

Graças a trilogia de Peter Jackson, muita dessa influência é sentida hoje. O livro já foi adaptado para o rádio, o cinema e televisão e os palcos.

A trilogia foi filmada simultaneamente, e está entre os recordes de bilheteria, além de ter acumulado dezessete Oscars, 4 para o primeiro, 2 para o segundo e 11 para o terceiro.

Os primeiros jogos de interpretação de personagens (RPG) surgidos entre as décadas de 70 e 80, graças a Tolkien, tinham ambiente medieval-fantástico com Elfos, Hobbits e Anões.

Por quê?

Tolkien criou um universo seu. E ele nos colocou lá como moradores, e não como espectadores. Graças a sua narrativa absurdamente detalhada, nós ajudamos a compor o cenário ( a realidade visrtual), nos tornamos parte, e por isso demos continuidade a estória.

Levamos o tema para casa, para o bar…consumimos o tema na TV, na web, nos games e nos ‘supermercados’.  Generalizando assim, parece ser algo ruim, mas não é. É apenas cultura pop my friend! And we like it!

É apenas a mída transcedendo os espaços que até então lhe foram conferidos…

O mais legal de Henry Jenkis, é que em seu  livro (não se engane pela capa – tem um IPhone), não acha que nós nos convergeremos a um único aparelho – o smart phone por exemplo, ele acredita que nós convergeremos a mídia a um tema de interesse de audiências de massa.

Nasce então a distinção entre cultura de massa (categoria de produção) e cultura popular (categoria de consumo).

Começamos influênciando capítulos finais de novela por intermédio de pesquisas (eu não, porque não assisto novela).

Hoje assistimos websodes  ( pequenos vídeos – episódios – transmitidos via stream na web, ou disponibilizados para download), e depois deixamos comentários,que influenciarão o que deve ou não acontecer a determinados personagens.

Adoramos e buscamos mais informações sobre os capítulos. Postamos o que achamos que irá acontecer com determinados personagens, mas na verdade, o que queremos que aconteça com certos personagens (rs).

Os exemplos são vários, Guerra nas Estrelas, Matrix, Harry Potter, Lost…

Quando recebi a revista da TVA no final do ano passado, li que a  minha série favorita seria cancelada. Inconformada (rs), entrei no website da Warner Bros para postar minha indignação.

Conheci o hotsite da série, descobri uma comunidade de fãs, me uni a eles e? A série foi cancelada em todos os lugares menos no Brasil…